viernes, 23 de enero de 2015

Mario Laginha & Bernardo Sassetti: Abril a Quatro Mãos – Grândolas (2014)


Source: musicasapo

O álbum “Abril a Quatro Mãos – Grândolas”, gravado em 2004 pelos pianistas Mário Laginha e Bernardo Sassetti, é reeditado nesta terça-feira, anunciou hoje a discográfica CNM.

O álbum reúne interpretações, pelos dois músicos, em piano a quatro mãos, de canções diretamente relacionadas com a revolução, como “Grândola, vila morena”, e movimentos sociopolíticos da época, e resulta de um desafio do musicólogo Ruben de Carvalho, nos 30 anos do 25 de Abril.

A edição discográfica é acompanhada pelo texto da entrevista dada pelos dois pianistas, em maio de 2004, ao Diário de Notícias, na qual salientam o espírito de liberdade com que gravaram, permitindo que todos os temas fossem “rearranjados” pelos músicos.

O álbum foi gravado entre a hora de almoço e as quatro da manhã do dia seguinte, conta Laginha, acrescentando ter sido “como se fosse um disco de jazz à moda antiga”.

“Uma coisa que para nós era fundamental, e que desde o início sempre esteve subentendido, era conseguir pegar nos temas e transportá-los para o nosso universo musical com algum gozo e muita liberdade, muita abertura de espírito”, salientou Sassetti que remata: “Só podia ser assim, porque é precisamente de liberdade que nós estamos a falar, é isso que se celebra”.

O álbum é constituído por dez canções, abrindo com “Venham mais cinco”, de José Afonso, passando por “Canto Moço”, do mesmo compositor, “Los cuatro generales”, tema popular que fez parte da resistência republicana de Madrid na Guerra Civil espanhola de 1936, e a composição oitocentista norte-americana “Life on the Ocean Wave”, de Henry Russell.

Ruben de Carvalho, contam os músicos, deu-lhes dois CD com “vinte e tal” canções de todo o mundo, e “de alguma forma ligadas a revoluções e a movimentos de libertação”. A ideia era “se quisessem fazer umas citações”, mas como os dois não eram “apologistas das citações no meio dos temas”, preferiram, aos seis temas iniciais, acrescentar quatro.

Outra ideia de Ruben de Carvalho que aproveitaram foi a utilização de uma caixa metálica de música, de manivela, que reproduzia a “Internacional” e "até tinha o carimbo do PCP". “Fizemos o ‘take’ à primeira, com a caixinha e depois colocámos apenas uns efeitos de piano por cima”, afirmou Laginha ao jornalista João Miguel Tavares, na entrevista reproduzida agora na nova edição do disco. Para Sassetti, esta faixa era “uma lufada de ar fresco”, num disco que “todo ele é piano”.

Do grupo de canções escolhidas fazem também parte “Era um redondo vocábulo” e “Traz outro amigo também”, ambas de José Afonso, e a “Internacional”, de Pierre de Geyter, “We shall overcome”, de Charles Albert Tindley, que se tornou a canção do movimento dos Direitos Civis dos Negros nos Estados Unidos (1955-1968), e que ficou conhecida sobretudo pela interpretação de Pete Seeger.Completa a lista “E depois dos adeus”, de José Calvário, que foi o primeiro sinal emitido pela rádio para as tropas saírem dos quartéis e dirigirem-se a Lisboa, para derrubar a ditadura e instaurar a democracia.

Sassetti conta na entrevista que, na ocasião, depois de gravarem, telefonou a José Calvário “a dizer-lhe que lhe tinha destruído a canção”. “Claro que isto é uma graça. Mas, harmonicamente, é de facto diferente”, esclarece o músico, que faleceu em maio de 2012, quase três anos após a morte de Calvário.

Sobre a memória que tinham do dia 25 de Abril de 1974, Sassetti, então com quatro anos, disse ser das poucas recordações que tinha da infância. "Não fazia a ideia do que se estava a passar, mas ver aquilo ao vivo era uma emoção". Laginha comemorava precisamente os seus 14 anos, e lembra-se de ter pensado que a Revolução lhe estragava a festa. "Mas entretanto tive um curso acelerado de política e, no outro dia, já andava pelas ruas, de 'V' em punho".


Mario Laginha, piano
Bernardo Sassetti, piano

1. Venham mais cinco
2. Era um redondo vocábulo
3. E depois do adeus
4. Canto moço
5. The Internationale
6. Traz outro amigo também
7. A Life on the Ocean Wave
8. Los 4 generales
9. We Shall Overcome
10. Grândola vila morena


JAVI

Jan Harbeck Quartet (feat. Walter Smith III) - Variations in Blue (2014)


Source: Jan Harbeck

For 39 year-old Jan Harbeck's third release for Stunt Records, the Danish tenor saxophonist chose a selection of classic standards combined with a couple of new original tunes to create an integrated atmosphere - a mood record with its own special intensity and presence. He spent three years finding the exact right tunes and wound up with compositions of melodic simplicity that leave space for the interpreter to dig into the basic core of the music without forfeiting dramatic aspects.

Back in 1967 tenor saxophonists Eddie "Lockjaw" Davis and Paul Gonsalves recorded a now almost forgotten LP called LOVE CALLS. The warm and unpretentious approach on that album was an inspiration in the making of VARIATIONS IN BLUE. 

As on the Davis/Gonsalves LP, VARIATIONS IN BLUE features none of the two-part horn arrangements, unison passages or lightning tenor battles, which are so common when sax colleagues record together. Jan Harbeck and Walther Smith III take turns presenting themes - one interprets the A-part leaving the B-part to the other, and the solos are often intertwined creating one sound.

Another - perhaps more surprising - inspiration for the album was Bach's Goldberg Variations: on Andras Schiff's 1982 recording for Decca, the piano great creates one long mood development throughout the hour-long duration of the work. It was Jan Harbeck's intention to give VARIATIONS IN BLUE a similar presence and warmth with nuances and variations weaving a blue thread through the album.

To bring these ideas to life - two tenors plus rhythm section in close interplay with reflections and echoes - it was important to find the right tenor saxophonist to share the front, and with his personal, warm, subdued but also extremely effective and modern approach to his instrument, Walter Smith III was the perfect choice. New York Times has described this shooting star as "fabulous". While leading his own groups, he is among other also a member of trumpeter Ambrose Akinmusire's band.Jan Harbeck swears by the great tradition of the swing era but renews it with his own original touch. He is more than a big-toned, old school swing tenor.

The two tenors work beautifully together. With respect for the history and material, they have created a soulful remake of the classic jazz sound. However, VARIATIONS IN BLUE is not merely a tribute to jazz of old, it bridges inspirations from earlier to modern jazz. Only two mature musical personas with mutual respect can make time stand still tenderly and lead the past into the future in such a natural way. Their musicianship is unpretentious and supple, and above all full of love.

Henrik Gunde on piano, Eske Noerrelykke on bass and Anders Holm on drums, have been the regular rhythm section in Jan Harbeck's popular quartet for years. 

Their first album, IN THE STILL OF THE NIGHT, received a Danish Grammy for Best Jazz Release. The album and its successor COPEHAGEN NOCTURNE are among the best selling Danish jazz albums in recent years, and the quartet is a popular Danish live attraction, touring extensively here and across Europe.On stage, the Jan Harbeck Quartet prefers to play unamplified whenever possible. 

To sustain the intimate atmosphere from their many concerts, the music on VARIATIONS IN BLUE was recorded in the same room without separation between the instruments. When presence and a natural sound are given top priority, one must forego the option of subsequent editing. On VARIATIONS IN BLUE nothing has been cut out or corrected.


Jan Harbeck, tenor sax (right channel)
Henrik Gunde, piano
Eske Nørrelykke, bass
Anders Holm, drums

Featuring

Walter Smith III, tenor sax (left channel)

1. East St. Louis Toodle-Oo (feat. Walter Smith III) 5:15
2. Nordic Echoes (feat. Walter Smith III) 7:24
3. Don't Let the Sun Catch You Cryin' (feat. Walter Smith III) 6:49
4. Salvation (feat. Walter Smith III) 4:17
5. Blues in the Night (feat. Walter Smith III) 8:22
6. Oblivion (feat. Walter Smith III) 5:25
7. Third Time to Tango (feat. Walter Smith III) 6:53
8. May Each Day (feat. Walter Smith III) 3:57

"Hearing is Everything" Peter Watkins


Domi