sábado, 17 de diciembre de 2016

Nils Petter Molvær - Buoyancy (OKEH RECORDS 2016)



Nils Petter Molvaer is Norwegian.

Nils Petter Molvaer is a trumpeter.

Nils Petter Molvaer is a jazz musician.

However, that explains nothing at all …

… about an artist who never defines himself by what he is at any given time but always by what is beyond the horizon he is aiming for. Let’s try again.

Nils Petter Molvaer is provocative.

Nils Petter Molvaer is unpredictable.


Nils Petter Molvaer is always a world ahead of himself and the rest of humanity.

He stretches himself out at will in time and space, subjecting himself to the new technology of the moment in order to give ever new expression to his timelessly unbridled romanticism. His music is full of radical tenderness, compact vulnerability and robust fragility. Nils Petter Molvaer is a living contradiction, and that is what makes him so human as an artist.

Buoyancy follows on from his last album Switch. With a quartet in which he himself plays trumpet, electronics and effects, Geir Sundstöl contributes a storehouse of exotic guitars and banjos, Jo Berger Myhre works out on bass, keyboards and more guitars and the former Madrugada drummer Erland Dahlen is responsible as one of Europe’s most versatile sound-painters for drums, percussion, xylophone, piano and any kind of everyday object you can imagine, Molvaer sallies forth on a journey through the horizontal, vertical and temporal. All four musicians back up their formidable arsenal of sound-generators with their personal integrity and with an incredible wealth of experience that each has collected independently of the others.

Buoyancy is a band album. More than ever, Molvaer has involved his fellow-music-makers in the concept. Switch brought him closer to Sundstöl and Dahlen, while new boy Jo Berger Myhre had considerable influence on the form the album would take, not least as Molvaer’s co-producer. The fact that it is a band venture doesn’t mean that Molvaer could deny himself a few highly poetic solo passages along the way. But in a wonderful way he succeeds in folding the whole band sound into his trumpet, so even the solo passages come across as collective achievements.

Molvaer’s topography of sounds reaches unforeseen dimensions on Buoyancy. Impressions when diving form the conceptual starting-point of the album as a whole and of each track. Molvaer and his merry men are simultaneously everywhere and nowhere. Each song offers the Norseman new deals between various composites of tradition and avant-garde. More than ever, his sounds are grouped around imagined spaces whose contrary parameters can be best described in terms of silence and chaos. Each piece describes a new primal impulse in the sense of a genuine process of creation. Molvaer gives the listener insight into the perpetual cycle of coming-to-be and passing-away. The music is beautiful and yet full of contradictions. It follows a logic that has far more to do with life than with artistic concepts.

Regardless what direction we approach the music on Buoyancy from, its hypnotic power and intoxicating magic is hard to resist. Seldom if ever has the effect of Molvaer’s music been so psychedelic. Some of the songs come across like swoops past imaginary underwater landscapes, others seem like camera journeys through nocturnal cities. Stoic serenity alternates with a driving pulse. Indonesian tropics evaporate into cyberspace.

The music is full of contrasts, both in microcosmos and in macrocosmos. Buoyancy is a persistent search for the roots of the future in the present – or in the just-now, or the just-after-that.
After the release on September 2nd, 2016 the album positioned on place #9 in the French Jazz Charts.




TOUR DATES

2017

25  jan Rockefeller,  Oslo, Norway

22  feb MÜPA - Béla Bartók National Concert Hall, Budapest, Hungary

08  march Bærum Kulturhus, Bærum, Norway

07  may Teatro Degollado, Guadalajara, Mexico


Mauro Senise & Romero Lubambo - Todo Sentimento (FINA FLOR 2016)



Delicadeza debaixo dos dedos

“Depois de te perder / Te encontro, com certeza / Talvez num tempo da delicadeza.”

Letra de Chico Buarque para Todo o sentimento



Como todo músico, Mauro Senise às vezes se isola na sua nuvem de som. Mas sempre sabe o momento certo de voltar à realidade – e é extremamente articulado ao traduzir sua arte em palavras. Um dos conceitos que mais cultua é o de “botar a música debaixo dos dedos” – coisa que só se alcança à custa de muito trabalho e disciplina. Assim tem sido ao longo de seus 34 anos de carreira fonográfica e, mais intensamente, nos tempos recentes. Não por acaso, seus companheiros de gravação também aderem à idéia da música debaixo dos dedos, o que explica a presteza com que os trabalhos transcorrem no estúdio.

Em 2016, aos 66 anos, Senise ignorou a crise: serão três álbuns neste ano, verdadeira façanha para um instrumentista brasileiro. A presença do violonista Romero Lubambo em Amor até o fim: Mauro Senise toca Gilberto Gil levou a um novo CD, Todo sentimento: Mauro Senise e Romero Lubambo, que será lançado em outubro. E a participação de Edu Lobo nesse disco levou a um terceiro álbum, que será gravado em outubro: Edu Lado B, com temas menos conhecidos do mestre.

Romero Lubambo, carioca, 61 anos, começou a aprender violão sozinho, ainda adolescente. Aos dezessete anos foi aprofundar seus conhecimentos na Escola de Música Villa-Lobos. Seu talento inquieto o levou à música improvisada e aos Estados Unidos, onde mora desde 1985. Lá tocou, entre outros, com o flautista Herbie Mann, os saxofonistas Michael Brecker, e Paquito de Rivera e os cantores Al Jarreau, Harry Belafonte, Astrud Gilberto e Dianne Reeves, de quem se tornou também arranjador.

Mauro e Romero começaram a tocar juntos no início dos 1980, nas jam sessions do Viro da Ipiranga, no Baixo Laranjeiras. Foi lá que surgiu a primeira versão, o embrião do lendário grupo Cama de Gato, com Mauro, Romero, Pascoal Meireles e Nilson Matta, que ensaiavam na casa do Pascoal. Foi Nilson quem deu o nome ao grupo. Depois Romero e Nilson foram morar nos EUA (onde formam o Trio da Paz, com o baterista Duduka da Fonseca), mas Mauro e Romero, apesar da distância geográfica, continuam inseparáveis e sempre em contato com o trabalho do outro. (Romero a Mauro: “Eu posso estar na Lua, você em Marte, mas a gente sempre está junto.”)

O álbum anterior da parceria Mauro-Romero (Paraty,1997) é uma viagem descontraída a clássicos da bossa nova (Inútil Paisagem, Fotografia, Influência do jazz, O barquinho) – e a temas como O ovo do Hermeto; Beatriz, de Edu Lobo e Chico Buarque; dois originais de Romero e a faixa-título, do baixista Nilson Matta, que tem participação especial no disco. Em Paraty, Mauro e Romero são tão bons como sempre foram, mas, de lá para o novo disco, quase vinte anos depois, há um salto marcante – de amadurecimento e concisão.

A escolha do repertório fluiu naturalmente, com preferências de um e de outro. Romero contribuiu com três composições originais: Lukinha, para a filha Luísa; Pro Raphael (Rabello, o gênio trágico que saiu mais cedo, em 1995, aos 32 anos); e Itacuruçá, “onde tínhamos uma casa na prainha, linda.” Mauro resgatou duas pérolas da Era do Rádio: Linda Flor (Ai, Ioiô) e Da Cor do Pecado, de Alberto de Castro Simões da Silva, o Bororó. Linda Flor, considerada o primeiro samba-canção de sucesso, foi composta pelo maestro Henrique Gypson Vogeler, diretor artístico da gravadora Brunswick, com a letra definitiva dos “revistógrafos” Luís Peixoto e Marques Porto para a gravação de Araci Côrtes (em1929), diferente das letras gravadas por Vicente Celestino e Francisco Alves, pouco antes no mesmo ano.

Em Da cor do pecado (lançada em 1939 por Sílvio Caldas) tocam apenas Romero e Mauro, que dá seguimento a suas investigações sonoras soprando a flauta em sol sobre as cordas de um piano com o pedal direito acionado. Senise vem se tornando cada vez mais exímio nas distorções de timbre, uma característica forte nos seus saxofones e flautas. Outras quatro faixas do total de treze são apenas com o duo: violão e sax soprano em Always and Forever (tema pouco conhecido de Pat Metheny) e Todo o sentimento (do pianista Cristóvão Bastos com letra de Chico Buarque); violão e sax alto em Saudade do Rio (de Nelson Faria) e violão e flauta em O Império contra-ataca (de Gilson Peranzzetta).


A formação do grupo foi radicalmente enxugada para este álbum, sem bateria nem piano. Além de Mauro e Romero, o quarteto – com a adição de Bruno Aguilar, um contrabaixista pulsante e melódico; e Mingo Araújo, o mago da percussão – toca em Lukinha, Chora, baião (de Antônio Adolfo) e Itacuruça. A percussão sai e o baixo fica nas duas faixas com Edu Lobo: Candeias (escolha de Romero) e Só me fez bem (uma favorita de Mauro) – a voz bonita de Edu valorizando as letras, a sua e a de Vinicius. Em Pro Raphael, sai o baixo e fica a percussão.

Músicos convidados: em Linda Flor, na segunda parte, surge, como uma lírica surpresa, o acordeão de Kiko Horta. Em Dona Teca ganhou asas – dedicada à mãe de Mingo – entra o compositor do tema, Jota Moraes, tocando vibrafone na companhia de Romero, Mauro e Mingo.

Romero é um violonista virtuoso, um perfeccionista que nunca deixa a técnica se sobrepor à emoção. Na sua escrita sutil as notas fluem, cristalinas e belas; pensamos às vezes mais além, nos dedilhados de Paco de Lucia ou de Andrés Segovia.

Existe um cânone no instrumental brasileiro? Antônio Adolfo, nas notas de capa do CD Chora Baião, diz que a síntese de samba, choro e baião “ocorreu apesar do fato de que, melódica e harmonicamente, cada um destes estilos foi submetido a influências muito diferentes: cantos africanos (samba), danças europeias e música clássica (choro) e a atmosfera musical mourisca da Península Ibérica (baião). Essa maravilhosa mistura – mais um gosto de jazz (daí a bossa) e blues – resultou numa combinação muito especial que se tornou e persiste muito popular entre os músicos brasileiros.” É esse o território – sempre cambiante e sujeito a novos acréscimos – explorado por instrumentistas como Mauro e Romero.

No DVD de Amor até o fim, em conversa com Mauro, Romero resume todo o sentimento que une a grande família instrumental: “O que a gente toca é, na verdade, o espelho dessa amizade, dessa influência. Não é uma questão de duas ou três horas de estúdio, é uma questão de cinqüenta anos: cada nota que eu dou, que você dá, tem cinqüenta anos atrás, tem toda a história de uma vida. E é assim que você aprende, ouvindo e abrindo o coração para essa energia toda.”


1 LUKINHA 5:18
Romero Lubambo

Romero Lubambo violão
Mauro Senise flauta
Bruno Aguilar contrabaixo
Mingo Araújo percussão


2 CHORA, BAIÃO 5:32
Antonio Adolfo

Romero Lubambo violão
Mauro Senise sax alto
Bruno Aguilar contrabaixo
Mingo Araújo percussão


3 DA COR DO PECADO 5:54
Bororó

dedicada à D. Nirinha Lubambo, mãe do Romero
Romero Lubambo violão
Mauro Senise flauta em sol


4 CANDEIAS 5:19
Edu Lobo

Edu Lobo voz
Romero Lubambo violão
Mauro Senise flauta
Bruno Aguilar contrabaixo


5 SAUDADE DO RIO 4:50
Nelson Faria

Romero Lubambo violão
Mauro Senise sax alto


6 LINDA FLOR 7:10
Henrique Vogeler | Luiz Peixoto
Cândido Costa | Marquês Porto

Romero Lubambo violão
Mauro Senise sax alto
Kiko Horta acordeom


7 PRO RAPHAEL 3:39
Romero Lubambo

Romero Lubambo violão
Mauro Senise flauta | piccolo
Mingo Araújo percussão


8 ALWAYS AND FOREVER 6:23
Pat Metheny

Romero Lubambo violão
Mauro Senise sax soprano


9 ITACURUÇÁ 6:06
Romero Lubambo | Pamela Driggs

Romero Lubambo violão | tamborim
Mauro Senise flauta
Bruno Aguilar contrabaixo
Mingo Araújo percussão


10 SÓ ME FEZ BEM 3:39
Edu Lobo | Vinicius de Moraes

Edu Lobo voz
Romero Lubambo violão
Mauro Senise sax alto
Bruno Aguilar contrabaixo


11 DONA TECA GANHOU ASAS 6:31
Jota Moraes

Dedicada à mãe do Mingo
Jota Moraes vibrafone | palmas | mãos esfregando
Romero Lubambo violão
Mauro Senise sax soprano
Mingo Araújo percussão | mãos esfregando


12 O IMPÉRIO CONTRA ATACA 3:25
Gilson Peranzzetta

Romero Lubambo violão
Mauro Senise flauta


13 TODO O SENTIMENTO 6:12
Cristovão Bastos | Chico Buarque

arranjo para violão inspirado na idéia
original de Cristovão Bastos
Romero Lubambo violão
Mauro Senise sax soprano


produzido por Ana Luisa Marinho
concepção do projeto Mauro Senise | Romero Lubambo | Ana Luisa Marinho
direção musical Romero Lubambo | Mauro Senise
gravação e mixagem Gabriel Pinheiro
assistência de gravação João Thiré | Lucas Ariel
estúdio Biscoito Fino Rio de Janeiro
masterização Luiz Tornaghi estúdio Batmasterson
direção de arte Felipe Taborda
design Augusto Erthal | Talita Garcia
fotografias e bonequinhos Ana Luisa Marinho
fotos bonequinhos Rodrigo Lopes


realização

 direção artística
Ruy Quaresma


Ingrid Laubrock Serpentines - Serpentines (INTAKT RECORDS 2016)




After relocating to Brooklyn in 2008 Ingrid Laubrock soon became a creative epicentre in the New York jazz scene, and is now one of the most significant voices in contemporary jazz. The new album 'Serpentines' fits in Laubrock’s musical cosmos, in which improvisational furore and compositional rigour, calculation and freedom, are intermingled. Laubrock grounded this formation with the unusual line-up having been given a carte blanche for the 2015 Vision Festival.

Florian Keller writes in the liner notes: "If we take the title’s suggestion and use snake paths as graphs for the movement of this music, various distinctive characteristics can be determined. Via the crafty compositional and improvisational about-turns, the music spirals upwards, peaking in airy flights. Changes of direction, and rhythmic, melodic turning points drive the music on, and release dramatic potential."



Soundsamples of this CD


Chico Matada - Reflections (GATEWAY MUSIC 2016)




Chico Matada is a Mozambican born drummer, composer and recording artist currently based in Denmark. His music is drawn from a mix of influences ranging from traditional and contemporary African rhythms, to Nordic sounds and Jazz related music. 

In 2015, as a retrospect of his life experiences, Chico Matada decided to go to the studio to record his debut album called Reflections.The album has a contribution of musicians from Mozambique, Ghana, Afghanistan, Denmark, Sweden and Estonia resulting in a true composite of cultures, which is reflected in his music.

All the songs are composed and arranged by him and his approach to communicating sentiment in composition is like a litany to the Divine.

Since 2010, Chico has performed and recorded with artists such as Chris Minh Doky, Andrew D angelo, Deodato Siquir, Gimo Mendes, among other notable talents.

A graduate in jazz studies from the Royal Academy of Music Aarhus, Chico Matada is currently based in Copenhagen, where he is working extensively with his own project ”The Chico Matada Group.” 

Alongside to performing Matada is a music educator and have taught at Rudolf Steiner School, World Music Center, Den Kreative Skole, and at Rudehøj Efterskole. But at the present time, he is devoting himself to his own music with the goal to mature the Group’s sound.


01. Reflections
02. I Wish You a Wonderful Day
03. What Could Be
04. Suipa & Mandivinda
05. Crossing Bridges
06. Keep Walking
07. Awake in a Dream
08. Songs of Song
09. Beyond the Line
10. Playground

Mathias Petri- Double bass
Simon Eskildsen - Piano
Lars Akesson - Guitar
Alfkil Wennermark - Violin